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Crônicas de um velho bebedor de cerveja

21/02/2011

A década de 90 foi um momento muito importante na formação do meu caráter, década de ilusões e desilusões. Em meio a um turbilhão de fatos, eu descobri que podia derrubar um presidente, descobri que o Opalão “seis caneco” não era o melhor carro do mundo e, descobri também, que abandonar o meu futebolzinho despretensioso evitaria maiores constrangimentos. Foi a década que atingi a minha maior idade. Com ela veio meu primeiro carro (que não era um importado do primeiro mundo e nem mesmo era melhor que o Opalão), entrei pra faculdade, adquiri minhas primeiras dívidas e conheci meu primeiro amor.

Com a liberação das importações no pais, as prateleiras dos mercados (essas coisas de super ou hiper vieram depois) se encheram de novidades e tentações. E foi no meio destas tentações que eu conheci uma loirinha que viria mudar minha vida. Na verdade não foi no mercado, mas sim em um barzinho, numa cidade do interior paulista, que não me lembro bem do nome, mas sei que ficava longe pra cacete de Campinas.

Haviam morenas, ruivas e orientais, mas a que despertou minha atenção foi aquela loirinha de nome bem familiar: Patricia! (minha prima chama-se Patricia). Foi amor a primeira vista. Nunca havia sentido isso antes. Me lembro como se fosse hoje, meus lábios sentindo seu sabor, seu aroma, uma timidez no ar, medo, coração acelerado. Seu corpo dourado era algo que até então não tinha visto em lugar nenhum. Foram momentos únicos e inesquecíveis.

Confesso que minha falta de experiência não me fez aproveitar cada segundo daquele momento, e nem mesmo dos próximos que viriam. Desperdicei muito tempo. Não dei o valor que ela merecia e prematuramente a abandonei.

Os anos se passaram, as coisas mudaram. Eu mudei. Descobri outros lábios, outros sabores, outros gostos. E ela ficou no tempo. Ou melhor, ela também seguiu a vida dela, fez seus casamentos, suas parcerias, evoluiu , mudou e não se encaixa mais na minha vida ou no meu paladar.

A vida é assim, feita de momentos e oportunidades. Só sabemos que erramos quando erramos. Só sabemos que acertamos, quando acertamos. A melhor opção ontem, não é a mesma de hoje mas quem sabe amanhã?

Mas a lembrança da primeira Uruguaia eu nunca vou esquecer. Um brinde a todas as Patricias!

Nota do Editor: As crônicas sempre são escritas após a terceira cerveja.

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