É preciso reinventar o futebol

O futebol, como é hoje, nunca mais existirá. Provavelmente o que acontecer entre as quatro linhas será secundário e dependerá das ações de Marketing que envolverão o espetáculo. A maioria das equipes sobrevivem principalmente de dois rendimentos: Público e TV. Torcedor no estádio é dinheiro em caixa, jogos transmitidos pela televisão também. Porém de um tempo para cá, essa fonte de renda tem sido insuficiente para arcar com as despesas e princialmente com os valores estratosféricos dos salários pagos aos craques que fazem o espetáculo.

É preciso alternativas, ou reinvenções. A primeira delas é para manter o que ja existe. O torcedor infelizmente está deixando de ir ao estádio, as médias de público caíram muito nos últimos anos. A violência é o maior fator, mas fora isso falta estrutura, faltam banheiros, lanchonetes, estacionamentos, novos atrativos e segurança. Um bom exemplo a ser seguido é o da NBA americana. Assistir um jogo da liga é um verdadeiro espetáculo. Tem shows no intervalo, restaurantes variados, sorteios, interação com o público, ou seja, o jogo acaba sendo secundário e o público pagante, passsa a ser o principal atrativo. É uma verdadeira festa com um jogo no meio. Enquanto isso no nosso futebol o torcedor é tratado como gado. Precisamos tratar nossos estádios como Shoppings e para isso, a profissionalização é inevitável. Assim como nos Shoppings, o torcedor pagará pela comodidade. Apenas para ilustrar, o ingresso mais barato para assistir a um jogo do Lakers custa U$ 94,00, o estacionamento, com seguro, custa U$ 22,00. Se levarmos em conta que o ingresso mais barato aqui no Brasil, para assistir um jogo de segunda divisão, custa U$ 22,00 (R$ 40,00) começo a acreditar que o exemplo americano é perfeitamente cabível.

Os fatores acima citado, causarão uma mudança de público, que mesmo parecendo uma opinião elitizada, com certeza aumentará a renda dos clubes, levará as familias de volta aos estádios, civilizará o espetáculo e também aumentará a audiencia na TV, uma vez que ir a todos os jogos custará caro, logo os torcedores, independentemente da classe social, não acompanharão todos os jogos.

Agora chegou a hora de reinventar. Uma marca estampada na camisa, mal pagará o salário de um ou dois atletas, mais do que duas marcas, perde o destaque e o retorno passa a ser dividido, logo passa a ser menor também. Com base nisso, é preciso diversificar o ramo de atividade, diversificar a atuação do Clube (time) no mercado. O Corinthians, por exemplo, investiu forte no automobilismo, inscrevendo equipes em duas categorias de forte divulgação no Brasil, o Santos investiu no futebol feminino, o Inter investe no complexo social, o Falmengo venceu a disputa para ter um nadador de nível internacional sob seu escudo.

Outra forma de capitalizar é associar seu nome a algum produto, ou o inverso, como vem sendo feitos pelo Red Bull e pelo Pão de Açucar (ridiculamente chamado de PAEC pela mídia). São equipes de futebol sim, mas a verba vem dos produtos/serviços vendidos. Esse é um fenômeno que vemos no vôlei brasileiro por exemplo. Grandes empresas “compram” o time da cidade, investem, pagam as contas, e exigem resultado, exigem postura. O esporte, principalmente o futebol, é sem dúvida nenhuma o melhor investimento em mídia que uma empresa pode fazer. Seja este investimento diretamente feito em uma equipe, ou em estrutura. Patrocinar assentos nas arquibancadas, é proporcionar conforto e bem-estar ao torcedor, é acima de tudo, mostrar responsabilidade e preocupação com seu público.

Infeizmente a maioria dos dirigentes de futebol ainda não perceberam isso. Existem sim muitas coisas legais sendo feitas, mas apenas “os grandes” tomam a iniciativa, mesmo que tímidas. Com estas e outras, eu me arrisco a dizer que, dentro de 5 anos, o Red Bull será campeão Paulista, e não dou mais 5, para eles disputarem uma Libertadores da América.

Atenção, é hora de renovar, de reinventar, de ser audacioso e sair na frente. Qualquer iniciativa é válida e no atual momento, qualquer iniciativa trará retorno. Caso contrário, a maioria dos times brasileiros irão fechar as portas e, ao último torcedor que sair do estádio, favor apagar a luz.

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