O clássico injustiçado

A Lada é uma das maiores montadoras de automoveis do mundo, mais precisamente a terceira maior, ficando atrás apenas da falida GM – símbolo do modo de vida americano – e da Toyota – símbolo do império oriental. A Autovaz, detentora da marca Lada, atingiu o status de terceira maior montadora do mundo ao fechar uma “parceria” com a Renault, onde os franceses passaram a ter 25% do controle acionário da empresa russa. Esta parceria inclusive foi extendida para a Fórmula 1, onde a Renault passou a estampar a marca russa em seus bólidos.

Os números da Lada pelo mundo são espantosos: O Lada 2105, conhecido no Brasil como Laika (em alusão a cadelinha do projeto espacial Russo) é um dos 10 carros mais vendidos do mundo. Já foram produzidas 18,5 milhões de unidades. Eu me arrisco a dizer que o 2105 é, sem dúvida nenhuma, o carro mais vendido no mundo, pois ao contrário do Corolla, que é considerado o “número 1”, o nosso querido 2105 não sofreu nenhuma mudança drástica, nem estética e nem mesmo mecânica. Para se ter uma idéia, em 1970, ano de lançamento da Lada, o 2101 tinha uma motorização de 1200 cilindradas, hoje possui 1600 cc, mas o bloco do motor é o mesmo até hoje. Já o Corolla… é outro carro.

A fábrica da Lada fica localizada cidade de Togliatti (a mil quilómetors de Moscou) e foi construída em apenas três anos e meio – de julho de 1966 a abril de 1970. Togliatti possui 740 mil habitantes, destes, 120 mil trabalham na Autovaz, produzindo nada mais, nada menos do que 700 mil unidades por ano que já foram distribuídas em 85 países difrerentes. A Lada foi a única montadora a comercializar seus carros nos 5 continetes do Globo ao mesmo tempo.

O governo Russo comprou da Fiat todo o projeto do Lada 2101, não só o projeto mas todo o ferramental necessário para a produção em escala. O 2101 é derivado do Fiat 124, um sedan de 4 portas, tração traseira com eixo rígido, um carro robusto e econônico.

Porém estes números não são suficientes para acabar com a má fama do simpático russinho. Parte da má fama se deve ao fato do carro ser feito para durar, é um carro robusto, apropriado as péssimas condições das estradas russas da época. É importante ressaltar que na época a União Soviética vivia um regime socialista, onde não se trocava de carro todos os anos. Carro não era sinal de status por lá. Outro detalhe legal deste carro é que ele simplesmente não enferruja, é um carro para viver 30 anos debaixo de neve e aguentar. Resumindo, um carro simples, robusto e feito para durar, não para se exibir. Mais do que um carro, uma filosofia.

Esse carrinho de motor longitudinal 1.6, 4 cilindros, 4500 RPMs, 1031 Kilos e câmbio de 5 marchas desembarcou aqui no Brasil em 1990, depois que o Collor liberou as importações. Foram comercializados aproximadamente 30 mil veículos entre 1990 e 1995. O grande apelo do Laika era o preço, enquanto o Fiat Uno, o carro mais barato da época, custava algo em torno de US$ 10 mil, o nosso querido 2105 nao chegava aos US$ 7 mil. Mas seu visual ultrapassado (para o país do futuro) e sua robustez não agradaram aos brasileiros e para aumentar ainda mais com a má fama do carrinho, em 1994, o então Ministro da Fazenda, Sr. Ciro Gomes, aumentou as taxas de importção, fazendo com que a Lada batesse em retirada, deixando o mercado sem peças de reposição e sem uma manutenção digna.

Para quem ainda não sabe eu sou Designer e como príncípio básico eu sempre levo comigo o seguinte pensamento: Na dúvida, fique com o clássico. Amando ou odiando o 2105, todos concordam em uma coisa: è um clássico!

Esse foi um pequeno resumo da história da Lada, para saber mais: portalsaofrancisco.com.br/alfa/lada/historia-2.php

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